terça-feira, 10 de maio de 2011

Guia de carreiras: Fonoaudiologia

Área está em crescimento, principalmente na saúde pública e coletiva.
Salário inicial gira em torno de R$ 1.500 a R$ 1.800.


Uma área em crescimento e com várias possibilidades de especialização. Esse é o cenário que o fonoaudiólogo recém-formado vai encontrar no mercado atual, segundo a presidente do Conselho Regional de Fonoaudiologia de São Paulo, Thelma Costa.

Formada há cerca de 30 anos, Thelma escolheu atuar na área por gostar de cuidar dos outros. Antes de entrar na faculdade, foi a um consultório e se encantou. Hoje, é representante da categoria e luta pelo aumento da valorização dos fonoaudiólogos. No passado, segundo Thelma, havia profissionais de outras áreas que faziam exames de audição ou diagnósticos apesar de terem outras formações.

Em geral, o fonoaudiólogo trabalha com a comunicação. A audiologia, que estuda tudo que está relacionado à audição e é a área de atuação de Thelma, é apenas uma das possíveis especializações da carreira. Outras opções são a da linguagem oral e escrita, que trabalha com a gagueira ou a grafia inadequada, a motricidade orofacial, no caso de pessoas com a língua projetada ou com problemas de articulação, e a da voz, em que se pode tratar doentes com câncer em hospitais ou atores, políticos e jornalistas que querem se expressar melhor.

“Dá para trabalhar com a pessoa em todas as fases da vida, desde a gravidez, passando pela fase de amamentação, dos cuidados com a alimentação do bebê até o idoso em estado terminal”, 

Há ainda quem atue na área de disfagia, que ajuda a pessoa a usar a musculatura para se alimentar, por exemplo. Segundo Thelma, as boas chances de trabalho na área, hoje, estão principalmente na saúde coletiva e pública, em que o profissional faz o papel de gestor e cria políticas para as diferentes atuações do fonoaudiólogo. Hoje, de acordo com Thelma, se faz o “teste da orelhinha”, que testa a audição da criança após o nascimento, graças ao trabalho de fonoaudiólogos que mostraram a importância do exame.

Dá para trabalhar em hospitais, escolas, empresas de aparelhos auditivos e também em universidades. “Antes todo mundo acha que só dava para ter consultório. Hoje, também dá, mas precisa trabalhar em conjunto com outros profissionais”, afirmou.

A remuneração inicial gira em torno de R$ 1.500 a R$ 1.800, de acordo com Thelma. “Tem concursos públicos com remuneração muito boa. Trabalhar como contratado de empresas também paga bem”, disse.

 

Guia de carreiras: Arquitetura e Urbanismo

Mercado imobiliário faz crescer a procura por arquitetos.
Profissão é confundida com engenharia civil; confira diferenças. 

 

 Habilitado para conceber espaços e objetos, o arquiteto e urbanista vê seu mercado se expandir com o 'boom' de moradias populares criadas pelo poder público. Porém, apesar de a carreira ter sua imagem vinculada à área de edificações, estes profissionais também podem trabalhar com paisagismo, cenografia, conservação e preservação de patrimônios históricos e culturais, design gráfico, além de projetar produtos como móveis e utensílios.

O presidente do Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo (Sasp), Daniel Amor, diz que todos os anos se formam cerca de 6.500 arquitetos em todo o país, sendo 30% no estado de São Paulo. É muito raro, segundo ele, algum ficar sem emprego. "Durante a faculdade o estudante faz o estágio supervisionado, isso ajuda ele conhecer o mercado quando se forma. Há várias oportunidades. Em São Paulo, por exemplo, metade das prefeituras não tem arquitetos."

Quem está há muitos anos no mercado garante que para seguir carreira, mais do que saber desenhar - já que o vestibular tem prova de habilidade específica - o aluno precisa ter senso de organização, criatividade e muito jogo de cintura. "É necessário prestar muita atenção porque quando menos espera durante um projeto o arquiteto é desafiado a pensar em uma solução rápida para um problema de sinalização, acessibilidade, comunicação ou conforto", afirma Zan Quaresma, arquiteto e diretor de pesquisa do Sasp.
Para Daniel Amor, ao fazer seus projetos o arquiteto cria obras de arte nas cidades. "Ao criar, o arquiteto não pensa em uma caixa isolada, um volume qualquer. Ele pensa em um elemento que vai estar transmitindo um sentimento dele e vai proporcionar algo naquele que vendo ou usando."

Arquitetos x engenheiros
 
Com habilidades diferentes, mas que se complementam em muitos trabalhos, arquitetos e engenheiros, principalmente na área civil, vivem uma rivalidade histórica. Enquanto o primeiro concebe um projeto, o segundo é responsável por torná-lo realidade.

Por resolução do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea), tanto engenheiros como arquitetos podem ser responsáveis pelo projeto arquitetônico e pela execução de uma obra. 

Quaresma lembra que as estruturas curriculares das graduações são diferentes. O arquiteto tem aulas de ciências humanas, como história da arte e sociologia, também aprende técnicas de fundações e sistema estruturais (hidráulico e elétrico), topografia, e está habilitado a fazer projetos.

"Somos capazes de conceber, entendemos o sistema de qualquer área técnica, mas não temos o conhecimento aprofundado das matérias de cálculo desses sistemas", diz. Segundo ele, o engenheiro civil não tem a carga de projeto nem de ciências humanas, mas aprende muito de exatas.

De acordo com o arquiteto, a legislação vigente não é clara sobre as áreas de atuação e permite que "haja confusão e sombreamento das atividades." Atualmente, os arquitetos e urbanistas estão vinculados ao Crea, mas está em andamento a formação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU). Um dos objetivos do conselho é garantir exclusivamente a arquitetos e urbanistas a responsabilidade de assinar projetos arquitetônicos, atribuição que hoje em dia também é dos engenheiros.

Guia de carreiras: Estética

Jogos Olímpicos e Copa no Brasil devem ajudar alavancar carreira.
Profissionais que possuem curso de graduação levam vantagem. 


Cuidar da beleza alheia exige formação. Para atuar, um esteticista tem de concluir, no mínimo, o ensino médio técnico. No entanto, atualmente, o mercado busca um profissional com uma formação mais completa, de nível superior.

A maioria dos cursos brasileiros de ensino superior em estética é tecnólogo, ou seja, tem entre dois ou três anos de duração e currículo é focado no mercado de trabalho.

Engana-se quem pensa que o curso é totalmente prático. Principalmente nos anos iniciais é comum haver disciplinas teóricas como anatomia, fisiologia e química. "A química serve como base para cosmetologia, que é química orgânica praticamente pura. Também há disciplinas de nutrição voltada para estética, comportamento humano, bio segurança e organização do trabalho. O primeiro ano é formatado de uma maneira mais teórica, preparando o aluno para receber e ter bagagem suficiente para entrar na prática", afirma Letícia Valim, coordenadora do curso tecnólogo de estética e cosmética do Centro Universitário Senac, em São Paulo.


guia estética (Foto: Arte/G1)


Após concluir a graduação, o profissional está habilitado a trabalhar com estética facial, corporal e capilar, além de prestar consultorias na área e atuar em indústrias de cosmetologia. Pode ser contratado por salões de cabeleireiro até clínicas médicas, além de abrir seu próprio negócio ou lecionar.

"Em um salão de cabeleireiro um esteticista pode, por exemplo, além de cuidar da pele, trabalhar com harmonia do rosto, sobrancelha e maquiagem. Em clínicas, é possível assessorar médicos como vascular, dermatologista e cirurgião plástico", diz Adriana Luna que concluiu o técnico em estética, mas atualmente cursa a graduação.

Para Adriana, os eventos esportivos mundiais que o Brasil vai sediar nos próximos anos vão ajudar a alavancar a profissão e abrir novos nichos, como os spas urbanos. "Com a preocupação por qualidade de vida, as pessoas têm procurado muito este serviço. Americanos e europeus estão acostumados com os spas. Temos de pensar que essas pessoas não vão vir só para os jogos e, sim, para aproveitar nosso país, que é lindo", afirma a esteticista.

No Brasil, um dos países campeões de consumo de artigos de cosmética do mundo, outro público que ajuda a expandir o mercado para os esteticistas é o universo masculino. "A gente lida com pessoas o tempo todo. Mesmo em um trabalho que você está na frente de um computador, em algum momento pode estar numa reunião e encontrar pessoas. É necessário estar bem. Acho que o homem entendeu isso", diz Adriana.

Quem quiser seguir carreira precisa de gostar de lidar com pessoas para se dar bem. "Tem de ter a descoberta do querer cuidar do outro. Acho que isso é o primeiro passo. A partir do momento que você descobriu que é prazeroso cuidar da pele de uma pessoa, fazer com que ela se sinta bem e isso for gratificante, você está na área certa", afirma Adriana.

 

Guia de carreiras: EDUCAÇÃO FISICA

Leque de atuação vai de academias a escolas e empresas.
Saber lidar com pessoas é característica essencial.


Renata Rodrigues foi atleta na infância e sempre praticou atividades físicas. No ensino médio, estudou magistério. Na hora de escolher a faculdade, foi direto para educação física. Hoje, depois de 19 anos de formada, gerencia o departamento aquático de uma academia no Rio de Janeiro, dá aulas para educação infantil em escola pública e é professora de pós-graduação. “O profissional tem um leque grande de atuação”, disse.


Arte educação física (Foto: Arte/G1)
 
 

Na faculdade, há três opções de formação: bacharelado, licenciatura e licenciatura plena. 

Na primeira, o profissional pode trabalhar em academias, clubes e em empresas. Quem faz licenciatura pode dar aulas em escolas. Para ter licenciatura plena e poder atuar em qualquer área, os formados no bacharelado ou na licenciatura têm de estudar de um ano a um ano e meio a mais.

Quem quer trabalhar em academia pode se especializar na área aquática, como Renata, ou optar por musculação, esportes, desenvolvimento motor ou ginástica. Pode atuar ainda como personal trainer. Na área corporativa, há procura por educadores físicos para ensinar ginástica laboral. “As empresas já perceberam que o número de afastados diminui quando um professor de educação física faz um trabalho preventivo”, disse Renata.

Educadores físicos devem ser dinâmicos, ter inteligência emocional, devem ser comprometidos, otimistas e tem de se manter atualizados, segundo Renata. “É uma profissão muito viva. Tem novidade o tempo todo. Tem que estudar muito.” Além disso outras características importantes são um bom caráter, boa índole, ser bom ouvinte e ser bom comunicador. “O essencial é saber lidar com pessoas”, disse.

Para entrar na área, Renata fez estágios em várias áreas durante a faculdade. “Fiz de tudo um pouco, escola, academia”, disse. Nessa época, descobriu que gostava de trabalhar com crianças e manteve o foco nisso. “O profissional tem que conhecer todas as áreas, descobrir suas vocações e desenvolvê-las”, disse.

O piso salarial do sindicato no estado de São Paulo começa em cerca de R$ 1.200 para profissionais de academia e R$ 1.400 para quem dá aulas, mas pode ser maior dependendo do mercado. “A remuneração depende do setor e da região. 

Escolas particulares remuneram bem. A rede pública deixa a desejar. Nas academias, ainda há informalidade, mas a tendência é diminuir”, afirmou Renata, que é membro do Conselho Regional de Educação Física do Rio de Janeiro.

A dica de Renata para iniciantes é que procurem empresas “corretas” para trabalhar, que registrem os funcionários com o salário total na carteira profissional e que cumpra a legislação. “Temos buscado a valorização do profissional”, disse.

#Fica a dica.